
Dias quentes, noites frias. E a música... não entendo esta gente.
Olhos tristes, mas dançam... serão felizes?!
Faço como eles. Bebo: sigo em frente.
Nos dias que me oferecem calor humano,
faço por sacudir o frio que se deixou ficar em mim.
Derreto-o com um beijo e um abraço demorado.
Sem pressa, começo o dia e acordo para a vida.
O sol brilha em mim e aquece-me tanto... mas tanto...
que suspiro num ataque súbito de energia.
Grito, salto, dou um pulo acima de mim mesma.
Acordo feliz numa manhã de sol.
As noites passo-as agarrada a ti, quando te tenho a meu lado.
São noites, nas quais, o frio não se lembra onde moro. E ainda bem...
A música.. ora...
essa vagueia sempre na minha mente, enquanto danço e sonho com ela.
Dia e noite. Ilustra a banda desenhada que vive no meu pensamento.
Quando não a oiço entre as gentes, vou sozinha cantarolando pela praia fora...
e sigo em frente.
Sigo em frente, até lavar a alma.
De olhos alegres, incitantes, curiosos...
vou inventando outras melodias a cada dia.
Não entendo esta gente... mascarada com outro rosto;
fingem não ver os sinais, não ouvir os sinos, nem os tangos.
Têm olhos tristes, que denunciam a ruptura interior.
Porque será que não nos cedem a mão e aceitam o perdão?
Tantos olhos vertem lágrimas secas de negação.
Tantas faces enganadas pela euforia falsa e descrente, que mente e não sente.
E... com um copo na mão... desfrutam a solidão.
Bebem: seguem em frente.
Esta manhã acordei. Está nevoeiro. O sol não brilha.
Os olhos estão tristes, porque as noites surgem frias.
Vou em busca de calor humano,
porque as partidas sempre se fizeram nas manhãs de nevoeiro.